Saúde

 Sexta-feira, 22.09.2017

 

1.º Fórum Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Cascavel

  

1.º Fórum Municipal de Segurança Alimentar pdf

ATA DO FÓRUM DE SEGURANÇA ALIMENTAR

 

ATA do 1.º FÓRUM MUNICIPAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DO MUNICÍPIO DE CASCAVEL-PR. Data: 18 de julho de 2014 – horário previsto: 13:00hs às 17:30hs . Local: Auditório da Prefeitura Municipal de Cascavel-PR.

 

Aos dezoito dias do mês de julho de 2014, às 13:50hs, deu-se início ao primeiro fórum municipal de segurança alimentar e nutricional de cascavel, no auditório da prefeitura municipal de cascavel, conforme edital de chamada pública 001/2014, com a seguinte programação: 13:00hs – credenciamento; 13:30hs – abertura; 14:00hs – mesa redonda com palestras sobre segurança alimentar; 15:30hs – eleição dos membros da sociedade civil (não governamental) para integrar o conselho municipal de segurança alimentar e nutricional sustentável de cascavel (COMSANS). O fórum foi presidido pela presidente da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional de Cascavel (CAISAN), Márcia Guedes Pimenta, conforme regulamento aprovado pelo Prefeito Municipal de Cascavel e pelo Secretário Municipal de Saúde, no uso de suas atribuições conferidas pela lei 5.873, de 2011, que cria o Sistema Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional do Município de Cascavel (SIMSAN). A abertura aconteceu às 13:50hs, quando a cerimonialista do evento, servidora Rosane Bendo, profissional da Secretaria Municipal de Saúde, nominou os promotores do evento, a saber: Secretaria Municipal da Saúde, com apoio da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional de Cascavel, composto pelas secretarias municipais de Saúde, Educação, Agricultura, Assistência Social, Desenvolvimento Econômico e Assuntos Jurídicos, com o objetivo eleger os representantes da sociedade civil organizada para a composição do Conselho. Na sequência, convidou para a composição da mesa de honra, as seguintes autoridades: Nanci Teruel Rouse Berto, especialista em Gestão de Qualidade e Segurança de Alimentos, coordenadora do curso de Nutrição da FAG e membro do Conselho Regional de Segurança Alimentar e Nutricional. Maria Tereza Chaves, presidente do Conselho Municipal de Assistência Social. Elaine Maria Dainez, Diretora de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel. Márcia Guedes Pimenta, nutricionista e presidente da Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional. Terezinha Sochodolak, representando o secretário de Educação, Valdecir Nath. Udson Márcio Moreski Júnior, diretor da Secretaria de Assistência Social, representando a Secretaria Municipal de Assistência Social. Reginaldo Roberto Andrade, Secretário de Saúde e representando também o prefeito municipal, Edgar Bueno. Formada a mesa de honra, deu-se a execução do Hino Nacional. Na sequência, a cerimonialista Rosane Bendo convidou para fazer uso da palavra o Secretário Municipal de Saúde, Reginaldo Roberto Andrade, também na condição de representante do Prefeito Municipal, Edgar Bueno. De início, o secretário saudou aos componentes da mesa, às secretarias envolvidas na organização, bem como aos participantes do evento. Destacou o secretário, que este processo foi iniciado já a algum tempo, através da Lei Municipal de 2011, baseada na Lei Federal de 2006, ao explicar que, quando criada esta Lei, aprovada pela Câmara de Vereadores, foi dado o primeiro passo para que se pudesse avançar na discussão da Segurança Alimentar no município de Cascavel. Disse o secretário que, além do debate sobre o tema, trata-se de um direito de toda a população o de receber alimentos em quantidade e qualidade satisfatória, visando no final qualidade de vida e uma diminuição de problemas de saúde ou ainda promover a saúde. O secretário assinalou que a Saúde de Cascavel, preocupada, junto com as demais secretarias envolvidas neste processo, conseguiu reunir forças, apesar das dificuldades com relação à disponibilização de pessoal, a destacar pessoas que pudessem estar se dedicando à questão, por ser um tema relevante, procurando-se recentemente priorizar com mais uma nutricionista voltada a esta proposta, para que pudesse também se dedicar. E, a partir de então, contando com a colaboração de todas as demais secretarias, e com o passo a ser dado a partir deste Fórum de Segurança Alimentar, através da composição do Conselho e depois, também, com a Comissão, que, segundo explicou Reginaldo, terá um papel fundamental de organizar todas as políticas no município, trabalhando a intersetorialidade, não apenas com os membros do serviço público, mas contando também com as outras entidades da sociedade; entidades sociais que trabalham diretamente ou indiretamente visando também proporcionar que este alimento chegue à população, salientou o secretário, entendendo assim que se terá o sucesso almejado. Disse ainda que se trata de uma árdua tarefa por não haver nenhum financiamento ou recurso do SUS nesta área, mas que a lei criada em dois mil e seis (2006) foi provocativa para que os municípios pudessem tomar a iniciativa de ir em busca desta organização. E criando as politicas, destacou o Secretário, se conseguirá trabalhar as propostas das metas delineadas pelo Conselho e a Comissão que irá apoiar, com a certeza de que se irá avançar muito expressivamente nesta área. Completou Reginaldo que as secretarias estão de parabéns, por se tratar de um processo bastante complexo de organização, porém pontuando que se teve no evento um público satisfatório, com pessoas interessadas no tema e que irão contribuir para que se avance na condição de segurança alimentar da população. Finalizou a sua fala com um agradecimento, desejando a todos um bom evento. Na sequência, desfeita a Mesa de Honra, e para dar continuidade aos trabalhos da tarde, o cerimonial convidou a senhora Janete Crack Magnagnagno e Ana Paula Zorick. O cerimonial explicou que na sequência se faria a leitura do Regimento Interno e que, em caso de pedido(s) de destaque a algum(ns) dos artigos houvesse a identificação do proponente para posterior deliberação. RosanI Bendo procede a leitura do Regimento Interno, o qual teve um destaque por conta da alteração do nome de um dos palestrantes do evento. O destaque referia sobre o item quarto do artigo oitavo, referente à organização do Fórum, relacionado à formação da Mesa Redonda, a ter como integrante a palestrante Débora Fernanda Basso, mestre em Nutrição pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e docente do curso de Nutrição da Faculdade Assis Gurgacz (FAG), com o tema: O Caminho da Segurança Alimentar e Nutricional. Não havendo mais destaques, a aprovação do Regimento Interno foi levada à apreciação da Plenária, tendo sido declarado aprovado o Regimento Interno do Primeiro Fórum Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Cascavel (COMSANS) por decisão de sua plenária. Como forma de contribuição para a realização do evento e melhor compreensão sobre os aspectos organizacionais da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Rosani Bendo convida para fazer parte da mesa os seguintes palestrantes: Débora Fernanda Basso, mestre em Nutrição pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e docente do curso de Nutrição da FAG, com o tema – O Caminho da Segurança Alimentar e Nutricional, que inicia sua fala para discorrer sobre o assunto, dizendo tratar-se de um grande marco para a segurança alimentar e nutricional de Cascavel e destacou de sua felicidade por estar participando deste momento, parte da História, e de uma nova História no âmbito da alimentação. Dá prosseguimento à palestra com a apresentação de slaides discorrendo sobre a temática da Segurança Alimentar e Nutricional, historicamente, sua implicação e evolução, no Brasil e no Mundo. Dentre as diversas nuances abordadas pela profissional, a palestrante deu destaque a algumas questões e situações que abrangem a segurança alimentar e nutricional, tais como a ampliação das condições de acesso aos alimentos por meio da produção, em especial por meio da agricultura tradicional e familiar, trazendo à tona e voltando para a origem dos campos, a questão do processamento, da industrialização; a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável do recurso; a promoção de saúde, da nutrição, da alimentação da população, incluindo-se grupos populacionais específicos e populações em situação de vulnerabilidade social; a garantia de qualidade biológica e sanitária, nutricional e tecnológica dos alimentos, bem como seu aproveitamento, estimulando as práticas alimentares e estilo de vida saudáveis e que respeitem a diversidade étnica, racial e cultural da população; a produção de conhecimento e acesso à informação; a implantação de políticas públicas e estratégias sustentáveis e participativas de produção, comercialização e consumo de alimentos, respeitando-se as múltiplas características culturais do País. Fez um paralelo entre os conceitos de Segurança e Insegurança Alimentar: de um lado o direito a uma alimentação saudável e de qualidade de forma segura e permanente; e de outro, a insegurança que pode ser detectada pela fome ou ainda pelo excesso de alimentos que não sejam nutritivos, citando o caso da chamada “Fome Oculta”, onde a pessoa encontra-se aparentemente nutrida, porém com déficit nutricional, situação, segundo a profissional, hoje em dia muito comum em jovens, crianças e adolescentes. Também citou o caso de doenças associadas à má alimentação e o consumo de alimentos de qualidade duvidosa ou adulterados; a produção com exploração excessiva da terra e o uso excessivo de agrotóxicos; a imposição de padrões alimentares que não respeitem hábitos culturais. Débora Basso revelou ainda que, segundo dados do IBGE, datados de 2012, cinquenta por cento dos homens e quarenta e oito por cento das mulheres estão acima do peso e oitenta por cento da população brasileira é sedentária, o que também influenciaria na questão da segurança alimentar e nutricional. Apontou a questão da publicidade, que influenciaria decisivamente para a promoção dos hábitos de consumo, inclusive da cultura alimentar. Para finalizar, Débora destacou a questão da educação e conscientização em relação a novas ideias e práticas de tudo o que envolve a segurança alimentar e nutricional, influenciando pessoas e cada vez mais expandir esta ideia. Na sequência, a cerimonialista Rosani Bendo registrou a presença do senhor Paulo Orso, presidente do Sindicato Rural Patronal e vice presidente da Federação de Agricultura do Paraná (FAEP). Registrou também a presença de Marcos Roberto Marcon, presidente da AREAC – Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel. Dando continuidade, convidou o próximo palestrante, Sr. Rafael Heinrich, formado em Nutrição e Especialista em Saúde Pública, membro do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do município de Toledo e vice-presidente da Associação dos Nutricionistas do Oeste do Paraná, com o tema Erros e Acertos na Adesão Municipal ao SISAN – Relato de Experiência. Rafael cumprimentou a todos, dizendo-se feliz em poder estar fazendo este trabalho, considerando sua especialização em saúde pública ter sido realizada em Cascavel, na Unioeste, e assim poder, em suas palavras, devolver um pouco do que aprendeu sobre saúde pública na cidade de Cascavel. Rafael tratou de conceitos de implantação do Conselho Municipal no âmbito do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, quais sejam: o CONSEA (Conselho de Segurança Alimentar); a CAISAN, que explicou, trata-se de uma instância após o Conselho (Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar); e o PLANSAN (Plano Municipal de Segurança Alimentar). Estes, explicou Rafael, compondo o SISAN (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional). E para que o município possa aderir ao sistema nacional se faz necessário ter formados os três órgãos acima citados, completou. Por que ter o CONSEA, questionou Rafael; mais um dentre tantos conselhos existentes, trazendo para isso à cena uma grande contradição: a fome, a obesidade e o desperdício, três cenários estranhos de se pensar simultaneamente, e completou destacando que no Brasil são desperdiçadas diariamente setenta e duas mil toneladas de alimentos. Isso já é um dos motivos pra se ter CONSEA, explicou o especialista em Saúde Pública de Toledo. Segundo Rafael, quando as pessoas formam o seu prato de comida, vinte por cento (20%), em média, não costuma ser efetivamente consumido pelas pessoas e acaba sendo jogado fora ou desperdiçado. Apresentou estatísticas de desperdício de alimentos em seu preparo, (como o tomate), muitos deles jogados fora pela metade ou ainda mais, citando, especificamente o caso do tomate. Em seguida apresentou dados sobre o perfil nutricional da população brasileira desde os anos setenta, mostrando a evolução do sobrepeso na população, com números preocupantes de evolução, justificando, segundo o nutricionista do Comsan de Toledo, mais um fator para a existência dos Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional, ao completar que não se trata apenas do excesso alimentar, mas de muitos outros fatores relacionados ao excesso de peso. Como exemplo, declarou: “nós, em 1974, éramos crianças magras e hoje chegamos com mais de cinquenta por cento da população com sobrepeso, e nós éramos crianças magras”, reforçou, para então completar:; o que será das crianças que estão em trinta e três por cento de sobrepeso hoje?”, questionou. “Se nós não fizermos nada hoje”, declarou o nutricionista, daqui a uma década ou pouco mais, teremos sessenta ou talvez, setenta por cento da população com sobrepeso. “Nós não podemos pensar pra dois mil e trinta. Nós temos que pensar que em dois mil e vinte e cinco o problema estará aí”, prognosticou o especialista em saúde pública do COMSAN de Toledo. “Temos que agir urgentemente”, completou. Rafael revelou que, neste cenário, a região Sul puxa a frente, considerando que a média do Brasil seja de menos de vinte e dois por cento, enquanto que no Sul o número salta para vinte e sete por cento de sobrepeso entre a população jovem. Ao citar as causas do problema, Rafael apresentou uma matéria relatando que o Brasil bate recordes mundiais de vendas de macdonalds e outras franquias, completando que se está pagando muito por algo que vale muito pouco. E alertou que todo esse cenário oferece um risco de doenças crônicas não transmissíveis. “Não é só a questão estética; mais peso, menos peso. É todo um problema relacionado a doenças crônicas”, assinalou Rafael, pontuando: “as cardiovasculares, como hipertensão, infarto ou AVC. A trombose, diabetes, câncer, obesidade. Essas doenças, juntas, revelou Rafael, matam no mundo mais de trinta e cinco milhões de pessoas por ano, equivalente à população inteira do Canadá, ou a população inteira do Brasil a cada seis anos, comparou, e completou: “É muita gente que morre por ano, por doenças evitáveis”. E neste cenário, segundo Rafael, tomando como exemplo dados do SUS de dois mil e dois, sessenta e nove por cento dos gastos do SUS foram destinados a gastos com doenças evitáveis, representando sete e meio bilhões de reais em um único ano, assinalou o nutricionista. “E como se evita, com autocuidado. Recebendo informação e ter o autocuidado”, completou. Listou ainda a causa das doenças crônicas, pontuando exemplos como o consumo de alimentos refinados em detrimento dos alimentos integrais, o baixo consumo de verduras e frutas, a contaminação por agrotóxicos, a desvalorização da água, relegada a segundo plano no tocante a seu consumo regular e a inatividade física. Rafael citou a produção de monocultura, em específico a soja e a grande quantidade de uso de agrotóxicos, destacando que cerca de oitenta por cento dos resíduos agrotóxicos acabam se acumulando no solo, no ar e na água. Apresentou estatísticas com o consumo de agrotóxicos que mostram o Brasil como campeão mundial de consumo por diversas vezes, com aumento em sua utilização de mais de quarenta por cento nos últimos dez anos, e completou destacando que, desde dois mil e oito, o Brasil é líder mundial no consumo de agrotóxicos. “Por isso que tem que ter o COMSEA, para fazer esse debate e ver o que é possível fazer”, explicou. “O agricultor trazer a experiência dele, o agrônomo trazer a experiência dele, o nutricionista trazer a experiência dele, e assim diversos outros profissionais”, assinalou. Rafael apresentou ainda dados de amostras de alimentos de mesa com grande quantidade de resíduos de agrotóxicos, sendo os campeões alface, cenoura, morango, pepino e pimentão, todos com índices mais de cinquenta por cento acima do recomendável, segundo os dados apresentados. Para isso, o profissional apresentou uma sugestão: ‘Nós temos o poder. O poder de compra, O produto não é saudável, não é recomendável, não compra”, vaticinou o vice presidente da Associação dos Nutricionistas do Oeste do Paraná. “Rapidamente quem produz vai ter que se adaptar”, explicando que isso aconteceu com o tomate, que anos atrás seria o alimento com mais veneno em 2008 e hoje o índice de resíduos teria diminuído significativamente. Rafael lembrou ainda que o modelo de produção da região é insustentável, por sustentar alguns em detrimento de outros, citando como exemplo a monocultura para exportação, principalmente a soja, com o uso intensivo de máquinas e agrotóxicos, o domínio da tecnologia de produção de sementes pelas dez maiores empresas do mundo no setor. “Poucos são os agricultores que guardam a semente. O que é uma pena”, destacou. Citou o risco, por questões estratégicas de, um dia, um vasto território como o Brasileiro, ficar sem possibilidade de plantio por falta de sementes. “Isso é uma questão que preocupa porque nossa soberania alimentar está um pouco ameaçada”, lembrou o especialista em Saúde Pública do COMSAN de Toledo. “Do dia pra noite a gente pode ficar sem cultivo. E isso é uma questão que preocupa porque nossa soberania alimentar está um pouco ameaçada”, disse Heinrich, completando que “a soberania é quando um país tem o domínio sobre si. E hoje não, as sementes são todas multinacionais. As dez que mais vendem são multinacionais”, explicou. Citou ainda a exaustão da terra, dificuldades econômicas e o êxodo rural, como integrantes de um modelo insustentável de produção e sustentabilidade ambiental. Rafael apontou a responsabilidade de cada um neste contexto, face ao excesso de consumo de carne, o que demandaria ainda mais a necessidade da produção de soja através da monocultura, apresentando como alternativa a agricultura familiar , a qual, explicou, tem grande potencial de ser ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentável. ”Por isso que nós precisamos privilegiar a agricultura familiar”, sentenciou Rafael. “Produz oitenta por cento dos alimentos que chegam à nossa mesa”, completou. Heinrich fez questão de rechaçar a tese de que não se pode produzir sem agrotóxicos. Lembrou que o agrotóxico surgiu em 1945 e que, portanto, por quase dois mil anos de agricultura se produziu sem a utilização destes produtos. “Eu sei que não vai ser da noite para o dia, mas nós precisamos dialogar e discutir”, declarou o nutricionista. “Reduzir ou usar só o que for necessário”, completou. Rafael pontuou ainda todas as políticas inerentes ao COMSEA, suas ações e áreas de atuação nos Municípios. Lembrou que até recentemente apenas Toledo tinha o Conselho montado, mas que agora outros municípios também estão implantando. Apresentou como se fez a implantação em Toledo, todo o processo burocrático e administrativo e como está estruturado naquele Município, bem como a sua composição. Explicou como o COMSEA de Toledo está implantando gradativamente sistemas de monitoramento, avaliação e diagnóstico dos dados alimentares e nutricionais nos diversos setores da administração pública, bem como a construção de ferramentas para a capacitação dos diferentes atores que atuam junto ao público alvo, como cozinheiras, professores, profissionais de unidades de saúde e demais profissionais. “Garantir uma alimentação sem contaminantes”, resumiu Rafael, e acrescentou como exemplo a formação das cozinheiras municipais e a capacitação de professores e profissionais de saúde com relação à saúde alimentar. “Em Toledo estamos fazendo a formação de multiplicadores em educação alimentar”. O professor chega na escola e multiplica o aprendizado dele”, destacou Rafael. E completou: “Não ensina a ser nutricionista, mas ensina o que precisa ser debatido pelas pessoas e a gente multiplica esse trabalho”. Finalizando sua apresentação, Rafael Heinrich convocou a todos para um movimento forte de enfrentamento aos alimentos ultra processados, promovendo a saúde através do resgate e da valorização dos alimentos naturais. “O que é nosso, o que é genuíno do Brasil, o que é da terra. O que vai dar dinheiro pro nosso povo, não vai dar dinheiro pra multinacional levar embora”, declarou Heinrich. “Hoje nós estamos jogando dinheiro fora e ficando com o lixo de alimentos e produzindo alimentos que tem uma grande carga de resíduos”, completou. Terminada oficialmente a palestra de Rafael Heinrich, a cerimonialista abriu espaço para questionamentos da plateia ao profissional. A participante Francieli, profissional da Secretaria de Assistência Social de Cascavel, perguntou sobre a experiência da Segurança Alimentar em Toledo, em que Secretaria está vinculada, bem como a questão da LDO, como funciona naquele Município Rafael explicou que começou na Secretaria de Abastecimento e Agricultura e com a aprovação da política municipal, ficou vinculada administrativamente em sua coordenação à Secretaria de Educação, por considerar que um dos eixos mais importantes seria a educação alimentar e nutricional, mas que, estaria sendo aventada a possibilidade de ir para outra Secretaria. Rafael declarou, no entanto, que, em sua opinião, a pasta que tem ações voltadas prioritariamente para a questão seria a Assistência Social. Mas que a Educação e a Saúde devem estar juntas e que para isso deve existir a CAISAN, segundo destacou Rafael, para integrar este grupo junto, mensalmente, semanalmente, ou quinzenalmente, dependendo da agenda e da intensidade da pauta, para estar se encontrando. “A CAISAN vem para resolver essa questão de intersetorialidade. Tem uma grande dificuldade de ações intersetoriais. A proposta dela vem para fazer isso”, completou Heinrich. E a LOA, explicou, os secretários indicam suas ações, no caso a Secretaria coloca na LOA e na LDO como meta ações em segurança alimentar e nutricional. Por outro lado, Rafael disse entender que não existe necessariamente uma Secretaria específica para este vínculo. Na sequência, o professor Dejair, representando o Conselho da Merenda questionou sobre o envolvimento do Conselho da Merenda do Município de Toledo em relação às ações do COMSAN e como o Conselho da Merenda de Cascavel pode estar atuando no COMSANS de Cascavel, visto atuar diretamente com mais de vinte e sete mil alunos da rede escolar em Cascavel. Rafael respondeu explicando que o CAE – Conselho de Alimentação Escolar – está entre os principais integrantes, “porque hoje o principal programa de segurança alimentar e nutricional do País é o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar”, lembrou o nutricionista. Exemplificou que, quem vai dizer se o Programa Nacional de Alimentação Escolar está tendo desvio de verba, se o dinheiro está sendo bem aplicado é o CAE, que vai levar essas informações para o COMSEA, disse. O CAE leva para o COMSEA para mantê-lo informado. Se o município está investindo dignamente na alimentação escolar ou não”, explicou Rafael. Isso é o CAE que vai levar para o COMSEA, inclusive o exemplo da formação do professor como multiplicador da educação alimentar e nutricional nas escolas. Luís, outro participante do Fórum, questionou a Mesa sobre a questão das sementes, bancos de sementes e seu relacionamento com a questão da segurança alimentar e da soberania alimentar. Rafael novamente citou o temor existente em relação ao domínio das multinacionais em relação à possibilidade de algum dia virem a interromper o fornecimento das sementes, não haveria assim sementes suficientes para o plantio, principalmente das culturas postas hoje, como a soja o milho e, em menor escala, o trigo. Janete, também da Secretaria de Assistência Social de Cascavel, questionou sobre a localização da política de segurança alimentar e seu órgão gestor, onde o Conselho ficará locado. A participante fundamentou seu questionamento destacando não concordar com o palestrante quando este defendeu que a política de segurança alimentar devesse estar sediada na Assistência Social, uma vez que esta secretaria, segundo declarou a participante, é uma Secretaria que executa uma política própria, assim como a Educação e a Saúde, declarou Janete, completando entender que deva haver o envolvimento de todas, num conjunto de esforços para fazer com que funcione. Disse que, em sua opinião, a política deveria ser vinculada a uma Secretaria de função meio, que tivesse uma função de articulação e reunião em prol das diversas políticas em prol de um alcance comum. Citou ainda em seu questionamento que Cascavel já teve um Conselho nos anos de dois mil e quatro a dois mil e seis, vinculado à Secretaria de Assistência Social à época, tendo cessado suas atividades em virtude de dificuldades no quórum de reuniões bem como da definição exatamente de sua função sobre matérias a deliberar. Rafael argumentou ter centrado na Assistência Social, mais em virtude do foco estar priorizado na questão da fome, de benefícios de prestação continuada, de Programa Bolsa Família. “A questão prioritária, ainda, é superar a fome, antes mesmo de superar o sobrepeso e a obesidade”, explicou, para acrescentar que “hoje se investe muito mais no Programa Bolsa Família do que no emagrecimento das pessoas”. Por outro lado, citou que a legislação também prevê que deve se tratar de uma Secretaria que tenha capacidade de articulação. Recomendou que se faça COMSEA e que se faça CAISAN o quanto antes, para que a CAISAN não seja um, mas que tenha todos os representantes do governo e que ela seja o pai e a mãe da criança, como declarou em suas palavras, estando representadas a Educação, Saúde e Assistência Social, no mínimo. Reforçou que pode ser em qualquer Secretaria, mas que a CAISAN tem o papel central de ser o, instrumento aglutinador de esforços e discussões em torno do tema. A participante Vânia, inquiriu sobre a possibilidade da Secretaria de Agricultura assumir a gestão da política de segurança alimentar, e destacou que nos níveis Estadual e Federal, o Conselho está diretamente ligado ao Gabinete do Governador e do Presidente, por ser muito importante e envolver todas as secretarias. Neste contexto, tendo em vista a ênfase na questão do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), da produção de alimentos, argumentou o por quê de não haver um agrônomo na composição do Conselho. Rafael respondeu que colocou o Conselho de Desenvolvimento Rural, cuja formação já integraria o agrônomo, bem como o veterinário. Heinrich disse entender que só se avançará na discussão da questão do agrotóxico quando houver o envolvimento justamente do profissional agrônomo para o enriquecimento desta discussão. Finalizou explicando que a formação do Conselho não se fundamenta em profissões, mas em representações da sociedade. Valdete, diretora do CMEI Doce Infância, no bairro Cataratas e membro do Conselho da Merenda, expressou sua inquietação em relação à alimentação infantil, sua qualidade e quantidade, bem como a má alimentação da criança subnutrida, ao fazer uma convocação aos diretores de CMEIS e Escolas para a importância de estarem participando destas discussões. Gestionou junto ao palestrante se em Toledo já existe algum trabalho junto às escolas em relação a esta preocupação da alimentação, e, em existindo, quais as ações que se poderia estar tomando e a quem caberia estas ações. Rafael citou novamente o Programa de Formação de Multiplicadores em Educação Alimentar e Nutricional. Citou legislação que enseja como objetivo a Secretaria de Educação fazer educação alimentar e nutricional em seu público, nas escolas, através dos professores. Também lembrou que a Saúde deve ter ações de educação alimentar e nutricional no seu público , fazendo uma formação de profissionais de saúde multiplicadores de ações em alimentação, como o enfermeiro ou técnico de enfermagem, exemplificou. Reforçou, em relação à pergunta, que no tocante à Secretaria de Educação, é atribuição do nutricionista que lá trabalha, considerando que setenta por cento do hábito alimentar se formar na infância, revelou. Não havendo mais questionamentos, a cerimonialista Rosani Bendo convidou a presidente da CAISAN de Cascavel, nutricionista Márcia Guedes Pimenta e a profissional Carin Savaris, da comissão organizadora do evento, para a entrega de uma lembrança aos palestrantes. Por conseguinte, conforme preconizado pelo Regimento Interno, passou-se para a eleição dos membros do COMSANS – Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Cascavel – PR, a ser composto pelos termos da Lei Municipal 5873 de 2011, por representantes do Poder Público Municipal e Estadual e da sociedade civil organizada, com vinte e quatro (24) membros titulares, na proporção de um terço (1/3) para o Poder Público e dois terços (2/3) para a sociedade civil. A representação da sociedade civil organizada sendo composta por quatro (4) membros de cada segmento, sendo para tal convidados pela cerimonialista, os membros da comissão eleitoral para dirigir os trabalhos da eleição, assim elencados: Ângela e Sandra, para o encaminhamento dos membros indicados como crachá de cor amarela, compondo as entidades, associações empresariais, ONG’s e OCIP’s; Ana e Raquel, para os membros com o crachá na cor vermelha, composto pela Organização de Trabalhadores Ligados à Produção de Alimentos; Francieli e Poliana, para os indicados com o crachá de cor rosa, composto por membros representando as Entidades Assistenciais e que executam ações de Segurança Alimentar ou Economia Solidária; Carla e Irmã Kely, para os indicados com o crachá de cor verde, cujos membros representando as Instituições de Ensino possuindo cursos relacionados à Segurança Alimentar e Nutricional. Rosane Bendo solicitou então à plateia, que, enquanto aguardasse a votação, fizesse a avaliação do evento através de formulário próprio, com os seguintes itens para avaliação: expectativa do evento, qualidade das palestras, local escolhido, horários e seu cumprimento, material utilizado, objetivo do evento e coffe breack. O resultado geral da avaliação mostrou que 75% classificaram o Fórum como excelente; 111% avaliaram como tendo sido regular e 02% consideraram ruim. A indicação dos membros da sociedade civil para participação e concorrência à eleição para a composição do conselho municipal de segurança alimentar e nutricional sustentável de cascavel (COMSANS), conforme previsto em regulamento próprio, foi assim definida: pelo segmento 01, das associações empresariais: câmara de dirigentes logistas (CDL) - Samoel Antonio Mattos Junior (titular) e Rosane Basso Pelissaro (suplente); Associação Popular para a Promoção e Desenvolvimento da Saúde (APOS) - José Alvanir Quevedo Oliveira (titular) e Maria de Lourdes Cavanos Fuga (suplente);UOPECCAN – Flávia Meneguim Zanella (titular) e Jacqueline Della Valentina Dal Borgo (suplente); pelo segmento 02, da produção de alimentos: Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Oeste do Paraná - Leonídia Romani (titular) e Otávio Rayzel de Carvalho (suplente); Associação dos Agricultores Familiares de Cascavel (AGRIVEL) – Anélio Casagrande (titular) e Maria Matilde Machado (suplente); Sindicato Rural Patronal de Cascavel – Paulo Roberto Orso (titular) e André Paulo Lovera (suplente); Associação dos Pequenos Produtores e Feirantes de Cascavel – Luis Alberto Meyer (titular) e Walquiria Tagutti (suplente); Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel (AREAC) – Patrícia Moretti Saturnino (titular) e Francisco Justo Junior (suplente); Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) – Marcos Roberto Marcon (Titular); pelo segmento 03, das entidades assistenciais: PROVOPAR – Vania Maria de Souza (titular) e suplente (não indicado); Legião da Boa Vontade (LBV) – Francieli Aparecida da Silva (titular) e Antonio Avanci (suplente); Cáritas Arquidiocese de Cascavel – Rosângela Silva Ferreira (titular) e Rosaldo Chemin (suplente); Pastoral da Criança – Maria Lourdes Menon Schram (titular) e Joana D”arc Maciel de Oliveira (suplente); APAE – Danielle Ilkiu Stefani (titular) e Noêmia Marcelino da Silva (suplente); Centro Social Beneficente Paróquia São Cristóvão (CEMIC) – Marines Reolon (titular) e Vera Aparecida Anger (suplente); pelo segmento 04, das instituições de ensino: SESC Cascavel – Anna Paula Liberali (titular) e Luciane Martini (suplente); Centro de Educação Profissional (CENAP) – Marilene Paes (titular) e Tatiana de Souza Teixeira (suplente); Serviço Nacional do Comércio (SENAC) – Marco Antonio de Oliveira Biss (titular) e Angela Karla França (suplente); SESI/SENAI – Elizana Lorenzetti Treib (titular) e Claudio Arsênio Frank (suplente); UNIOESTE – Paula Fernanda Vasconcelos (titular) e Cláudia Regina Felicetti Lordani (suplente); Faculdade Assis Gurgacz (FAG) – Débora Fernanda Basso (titular) e Nanci Rouse Teruel Berto (suplente). Ao final da votação, a composição dos membros eleitos para a formação do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Cascavel, ficou assim definida, conforme Atas de Votação específicas com os registros de votação de cada um dos segmentos, conforme segue : ENTIDADES DO SEGMENTO 01: em reunião com as entidades CDL, Associação Popular de Promoção e Desenvolvimento da Saúde e UOPECCAN, tendo sido as três a apresentarem candidatos no referido segmento, por definição consensual, passaram a ocupar os cargos, os seguintes conselheiros eleitos: CDL - Samoel Antonio Mattos Junior (titular); e Rosane Basso Pelissaro (suplente) Associação Popular Para a Promoção e Desenvolvimento da Saúde (APÓS) - José Alvanir Quevedo Oliveira (titular) e Maria de Lourdes Cavanos Fuga, (suplente); UOPECCAN - Flávia Meneguim Zanella (titular), Jacqueline Della Valentina Dal Borgo (suplente). ENTIDADES DO SEGMENTO 02: também de forma consensual foram eleitos: Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Oeste do Paraná - Leonilda Romani (titular) e Marco Roberto Marcon (suplente) do CREA ; Associação dos Agricultores Familiares de Cascavel (AGRIVEL)Anélio Casagrande (titular) e Maria Matilde Machado (suplente); Sindicato Rural Patronal de Cascavel – Paulo Roberto Orso (titular) e André Paulo Lovera (suplente); Associação dos Pequenos Produtores e Feirantes de Cascavel Luís Alberto Meyer (titular) e Walquiria Tagutti (suplente); Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel (AREAC) – Patrícia Moretti Saturnino (titular) e Francisco Justo Junior (suplente), foram os eleitos do segundo segmento. (OBS: Em razão do Segmento 01 não ter preenchido uma vaga, esta foi ocupada pelo segmento 02, conforme regulamento, ficando este assim com cinco vagas. ENTIDADES DO SEGMENTO 03: A eleição também ocorreu por consenso Pastoral da Criança – Maria Lourdes Menon Schram (titular) e Joana D’Arc Maciel de Oliveira (suplente); CEMIC – Marinês Reolon (titular) e Vera Aparecida Anger (suplente); Cáritas Arquidiocese de Cascavel – Rosângela Silva Ferreira (titular) e Danielle Ilkiu Stefani (suplente) da APAE; pelo PROVOPAR Vania Maria de Souza (titular) e Francieli Aparecida da Silva (suplente), representando a LBV, foram os conselheiros eleitos pelo terceiro segmento. ENTIDADES DO SEGMENTO 04: também de forma consensual, pela UNIOESTE – Paula Fernanda Vasconcelos (titular) e Cláudia Regina Felicetti Lordani (suplente); pelo SENAC Marco Antonio de Oliveira Biss (titular) e Angela Karla França (suplente); pelo SESC – Anna Paula Liberali (titular) e Luciane Martini (suplente); pela FAG – Débora Fernanda Basso (titular) e Marilene Paes (suplente) do CENAP. Após o anúncio, os conselheiros eleitos posaram para a foto oficial do evento e na sequência para o coffe-breack servido a todos os presentes. Sem mais considerações, o evento foi encerrado às dezesseis horas e quarenta minutos, e eu, Clécio Wanderley Bohn, secretário executivo, subscrevi a presente Ata.